Time, Pink Floyd

Novembro 25, 2009 por kirp

Graças a recomendação de um cara que achei no twitter (e eu ainda tinha a audácia de dizer que o twitter era inútil) descobri ou para ser mais sincero, eu redescobri uma música excepcional. Trata-se de um belo exemplo do conjunto e da união que se pode fazer entre instrumentos, letra e voz.

Time, do Pink Floyd, começa com aquele despertador te lembrando que o dia está aí andando, em movimento contínuo e sem parar para descançar há sei-lá-quantos-milhões-de-anos. Então começa o tic-tac e o riff inicial. Um riff bastante sombrio que é interrompido pelo início dos vocais que cantam uma das mais belas composições que eu já tive o prazer de ouvir.

Destaque especial para a seguinte passagem:

The sun is the same in a relative way, but you’re older, shorter of breath and one day closer to death.

Não queira ouví-la no seu aniversário, formatura ou casamento.

Time faz parte do disco The Dark Side of The Moon, do Pink Floyd (informação desnecessária). Você pode ouví-la em milhares de lugares.

Room On Fire (2003)

Novembro 22, 2009 por kirp

The Strokes - Room on Fire

A perfeição em forma de música. Ok, talvez eu esteja exagerando, mas Room On Fire é o melhor álbum dos Strokes.

Com uma sonoridade ainda parecida com o primeiro trabalho e completamente diferente no ritmo e na melodia, é realmente difícil de ouvir as músicas sem balançar a cabeça ou bater os pés. Não estou dizendo que é um álbum dançante, ele é gostoso demais, nunca eletrônico ou feito para dançar na balada.

Como disse, a banda ainda tem cheiro de rock de garagem, porém incorporou uma puta de uma combinação entre vocal, guitarras, baixo e bateria. Tudo parece acontecer junto e ao mesmo tempo com apenas um objetivo: parecer que é apenas uma coisa. Ou seja, como se ao apertar uma tecla do piano, o som produzido seja uma faixa do álbum, me entende? As músicas são uma unidade de diversos instrumentos.

Os destaques (completamente pessoais) são between love & hate (youtube), I can’t win (youtube) e a música que mais revela o estilo de room on fire (novamente, apenas para reforçar, isso é a minha opinião): the end has no end (youtube).

A tradicional família mineira, Colorido Artificialmente (2009)

Novembro 15, 2009 por kirp

Você que fica pelos cantos falando que o Brasil não presta quando o assunto é música, eu tenho uma coisa para te dizer: você é um babaca. Aqui mesmo eu já citei algumas várias bandas brasileiras absurdamente boas (noção de nada e hurtmold). E hoje você vai conhecer outro conjunto que fica fácil fácil no topo dessa lista das melhores bandas brasileiras.

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Com uma sonoridade que me remete bastante ao alternativo e instrumental, esse CD é a perfeita representação do característico rock brasileiro/música atual brasileira/sei lá, chame como quiser. Digo isso, pois existem outras bandas nacionais com excelente qualidade musical, como Calistoga, mas que cantam em inglês e acabam revelando uma música bastante parecida com o que já é feito lá fora. (Sem querer tirar o mérito de Calistoga, essa é uma característica deles que em nada estraga o som. O ponto aqui é exaltar que Colorido Artificialmente faz um som bem mais próprio e inovador ou diferente.)

As letras – que ainda não parei para prestar atenção – são muito bem acompanhadas pelo instrumental nunca muito distorcido e sempre agradabilíssimo. Ainda batendo nessa tecla da composição, é fácil perceber as referências literárias nesse álbum: 1984 e o estrangeiro.

Recomendo com força que você pelo menos conheça a banda, gostar é outra história. Deixo para você ouvir a faixa volta de são paulo. O resto você pode ouvir no myspace deles.

Hourglass, At The Drive-in

Novembro 14, 2009 por kirp

Quando conheci o At The Drive-in minha vida musical – que puta termo boiola, hein? – mudou drasticamente. O At The Drive-in é uma banda de sonoridade única. Eu os considero como a única banda com som nonsense, ao menos é a única que já ouvi na vida.

O som deles é muito variável e sempre bom demais. Se você conhece The Mars Volta e todo o seu experimentalismo, saiba que, no ATDI (nome da banda abreviado) o psicodelismo também ocorre, mas em doses menores e com mais peso hardcore.

Hourglass é uma faixa diferente do característico da banda, mas nem por isso deixa de ser boa. Ela é mais calma que a grande maioria das músicas, tem um tom mais melódico também. Mas é incrível. O vocal mostra toda sua qualidade, o instrumental – repetindo – mais leve que o normal é impecável. Até que chega o refrão, aí o vocal solta o berro e os instrumentos ficam mais agressivos. Isso ocorre apenas lá pelos 2 minutos. E isso não quer dizer que tudo que vem antes é ruim. Não mesmo.

Faz parte de In/Casino/Out, de 1998.

Ouça.

Rollin’ Home Alone, Jason Lytle

Novembro 8, 2009 por kirp

Começa naquele estilo ramones de se começar uma música (na real nem sei se esse é o estilo ramones de se começar uma música): two, three, four. O violão vem, toca uma rodada e chega o vocal cantando o título da música. Aquela voz adocicada e quase que sussurrada que só o Jason Lytle sabe fazer. Até que chega uma hora que ele dá aquele ahh-ahh-aaaah-aaaah que derruba você, jovem moça, do sofá.

Ele canta o primeiro verso e refrão e aí que vem toda a magnitude da música, ao exatos 1 minuto e 17 segundos. É uma coisa de te deixar paralisado, é tocada, eu acho, pelo sintetizador do cara. Uma coisa difícil de se explicar. Sempre imagino que que é o momento perfeito para você criar uma teoria que pode mudar o mundo nessa parte da música.

Rollin’ home alone está no primeiro trabalho solo de Jason Lytle, Your Truly, The Commuter (2009).

Ouve ou ali (no youtube).

Mais uma vez desanimou, Hurtmold

Outubro 31, 2009 por kirp

Alucinante.

Vejo a música como uma puta discussão entre duas pessoas: um casal, de preferência. E quando eu digo puta discussão eu não falo naquele tipo de coisa “ah, fiz o boquete e você não me pagou” não! Eu me refiro à uma discussão pesada, com argumentos fortes de ambos os lados e grandes tapas na bochecha. Coisa de filme. Com sangue, talvez alguns dentes quebrados e uma vida acabada.

A música começa com os dois personagens se olhando e criando as raízes de suas raivas, fazendo aquelas caretas do demônio. Um deles, o mais calmo é o que começa a reclamar até que, quando o segundo não consegue mais conter as palavras, ele começa a soltá-las praticamente chutando e esporrando todo o seu rancor na cara do adversário. Mais uma vez desanimou parece isso.

Ouve aí. Vê aí (na real é só o áudio também, mas no youtube).

Mais uma vez desanimou faz parte do álbum Cozido (2002), do Hurtmold.

When I’m Anymore, Grandaddy (2006)

Outubro 30, 2009 por kirp

Nada melhor que ouvir aquele grandaddy e sua bateria bem marcada, não é mesmo? Sim, é sim! Com uma musicalidade bastante simples – o que é uma certa característica bastante notável na banda – a música when i’m anymore pode passar despercebida sem nenhum problema. Mas ela não passa. Impossível uma música onde o vocalista canta “miau, miau miau miau miau” – sim, ele mia (ou ao menos faz algo muito parecido com um miado) 5 vezes – passar despercebida.

A música faz parte do último álbum do grandaddy, Just Like the Fambly Cat, aquele um que não teve uma tour. Pena. Mas você pode ouví-la aqui.

Cassino, Deluxe Trio

Outubro 22, 2009 por kirp

Foi lançado há bem pouco tempo (dias ou talvez horas) o clipe póstumo da música Cassino, do Deluxe Trio – banda que dispensa apresentações quando se fala no quesito qualidade, no entanto, quando se fala na popularidade, precisa sim de apresentações. Caso você não conheça, o Deluxe Trio foi uma banda paralela de amigos do Rio de Janeiro. Esses amigos tinham suas bandas principais (Noção de Nada, Dandara e Menores Atos).

Inicialmente a banda era um projeto paralelo mesmo. Com o término do Noção de Nada e a saída do baterista (que fazia parte do Noção de Nada e do Deluxe Trio), Bil (vocalista) resolveu dar uma animada naqueles cantos. E então o Deluxe Trio iniciou a melhor fase.

Cassino faz parte do segundo CD da banda, mais pimenta menos sal (um disco incrível), e é, sem dúvidas, um dos expoentes desse trabalho. Dona de uma batida alucinante e rápida, é praticamente impossível ouvir cassino sem balançar a cabeça pra cima e pra baixo. Tocar, então, nem se fala.

O clipe é uma pérola e fico triste por ter sido lançado apenas após o término da banda. Confira e ouça a banda!

Desisto, Hurtmold (2002)

Outubro 20, 2009 por kirp

Aí está uma das poucas músicas do hurtmold com letra. E essa é das boas. Apesar de fugir do habitual – que, pra quem não sabe, são as músicas instrumentais -, em desisto o hurtmold não deixa de lado sua característica músical e ainda implementa o vocal mais do que rasgado, sujo e quase que sem vontade, porém formidável.

Desisto faz parte do Cozido (2002), ótimo trabalho do Hurtmold. Você pode ouvir a música aqui.

Grandaddy

Outubro 4, 2009 por kirp
Grandaddy
Desde que criei o recomenda-se, essa talvez seja a primeira vez que eu quero muito, muito mesmo, que você aceite minha recomendação. Quero muito que você deixe um pouco seu gosto musical de lado, reserve um tempo para procurar e baixar a discografia – sim, a discografia inteira – da banda que eu quero te apresentar. E muito mais do que ter as músicas, eu quero que você reserve o seu tempo e ouça as músicas. Não apenas ouça enquanto bate papo no msn, tuíta, joga sudoku ou paciencia, minha vontade é que você ouça com tudo sem preconceitos e com atenção – se possível ou necessário mais de uma vez.
Hoje eu falo sobre Grandaddy.
Deuses.

Deuses.

Desde que criei o recomenda-se, essa talvez seja a primeira vez que eu quero muito, muito mesmo, que você aceite minha recomendação. Quero muito que você deixe um pouco seu gosto musical de lado, reserve um tempo para procurar e baixar a discografia – sim, a discografia inteira – da banda que eu quero te apresentar. E muito mais do que ter as músicas, eu quero que você reserve o seu tempo e ouça as músicas. Não apenas ouça enquanto bate papo no msn, tuíta, joga sudoku ou paciencia, minha vontade é que você ouça com tudo sem preconceitos e com atenção – se possível ou necessário mais de uma vez.

Hoje eu falo sobre Grandaddy.

Acho extremamente difícil de se falar de uma banda tão completa e tão impressionante. A banda é tão significativa que é complicado achar o ponto ideal para começar a te cativar.

Bom, o grandaddy nasceu em 92 na California. E morreu – sim, pode começar a chorar – em 2006. Nesse tempo lançaram exatos 4 álbuns impecáveis de estúdio e várias outras coleções.

Outra grande dificuldade em falar da banda é comentar sobre o seu estilo. É uma coisa diferente. Batidas muitas vezes simples, repetitivas, bonitas e suaves. Soa como um country-rock indie com sintetizador. Eu sei que é difícil imaginar, por isso pedi encarecidamente no começo do post que você ouça o que eles fizeram, palavras sempre serão pouco.

Jason Lytle, o guitarrista, tecladista, compositor e vocalista de voz extremamente fofa, é um ser incrível. Suas músicas – vale lembrar que ele é o único, pelo menos que eu saiba, compositor da banda – criticam o crescimento desenfreado da tecnologia, nos levam para futuros não-tão distantes onde o caos tecnológico faz as pessoas aspirarem por paz e sossego, bosques e menos telefones e carros. Suas letras falam sobre como a simplicidade da vida é boa. Falam, também, sobre skate.

Muitas músicas são bastante psicodélicas. FentryHe’s Simple, He’s Dumb, He’s the PilotEverything Beautiful Is Far Away mais do que provam isso. Além, é claro, das clássicas – me refiro às músicas que melhor representam a banda e não das que mais sucesso fizeram – Rear View the Mirror, Now It’s On, I’m On Stand By, Levitz, Hewlett’s Daughter e Summer Here Kids.

Dos álbuns lançados também é de uma dificuldade extrema categorizar e classificar o melhor. Pessoalmente acho o melhor álbum o Sumday, o The Sophtware Slump e o The Broken Down Comforter Collection. Ok, eu sei que preciso escolher apenas um, por isso meu voto é de Sumday. Esse é incrível. Se você quer começar a ouvir grandaddy, vá por Sumday e The Broken Down Comforter. Garanto satisfação total ou seu dinheiro será devolvido.

Tenho noção de que falei pouco e não muito bem. Mas a dica seria a mesma se o texto fosse impecável ou um tweet de 140 caracteres. Agora que acabou, vá lá e conheça o trabalho do grandaddy. Não perca mais tempo.